Condenado

Posted: maio 20, 2010 by Alessandro Pierre in
9

 Imagem: 1X.com - Colmar Wocke

Condenado

Estou em um lugar onde não podes me ver agora,
Mas sei que ainda ecoo em sua cabeça... Sou palavras
Hoje sou a sombra do que já fui
Mas estou tão perto como antes
Estou em um lugar onde realmente importa
Podes me ver quando fecha os olhos
Vim de longe, pois quero estar sempre próximo
Estou em lugar agora perdido do tempo
Oscilando entre mundos desde que o nosso se desfez
Tropeçando nas palavras que ficaram engasgadas
Deveria ter feito sentir-se melhor quando podia
Agora sou eu quem te desperto a noite
Velando seu sono desvelando segredos
Estou sempre solitário te esperando na porta da frente
Quando adormece, te levo para dançar em sonhos.
Entorpecida me diz coisas que não posso entender
Estou do outro lado do espelho
E um lugar onde todas as palavras rimam
Sussurro teu nome no ouvido e te arranco arrepios
Seus suspiros são o tragar da tua alma
Que tenta fugir com minha para este plano
Mesmo que não percebas, sou eu.
Calçando sua estrada de sonhos
Para não ferirem teus pés descalços
Pairo sobre teu rosto quando deitas
Mas não posso mais sentir tua pele
Caminho deste lado com você
Mas, existe um abismo entre nós.
Estou condenado a viver em um belo lugar agora
Mas qualquer lugar só é perfeito

9 comentários:

  1. Henrik says:

    Excelente, adorei. «Hoje sou a sombra do que já fui»: não somos sempre? a sombra do que fomos que caminha para a luz do que somos.
    Abraço.

  1. Estamos todos no limbo, no vão, na fenda, na farpa! Mas os azuis e as sombras pálidas tecidas à noite trazem luz e a poesia se estende aos teus pés. E as minhas mãos eu trago em reverência!
    Que belo, Alessandro! Mesmo à beira do abismo, as tuas palavras me comovem.
    Beijos, poeta.

  1. Nanda says:

    O lugar pode ser o melhor, o mais apropriado, mas se nao tiver conosco o complemento da alma, tudo perde a graça e o sentido.

    Gostei especialmente dessa parte "Seus suspiros são o tragar da tua alma"

    Vc é demais!!!! demais, mais, mais...

    beijos, aqueles beijos...

  1. ValeriaC says:

    Alessandro você me surpreende a cada dia...maravilhoso poema...fascinante...faz ou fará parte de algum momento da vida...ser condenado a ficar longe de quem amamos, estejamos vivos ou por não mais estar nesta vida.
    Beijos amigo

    Valéria

  1. Me lembrou um trecho do Mário de Sá Carneiro: 'Perdi-me dentro de mim/ Porque eu era labirinto,/ E hoje, quando me sinto,/ É com saudades de mim.

    Sem contar que esse lance de saudade, labirinto e procura me balança de verdade.
    Belo texto!

    Parabéns! ^^

  1. Estou chocada com sua sensibilidade....perfeição...este passou a ser meu preferido..ate o proximo supera-lo....Parabens!!!!!!!Estou encantadissima.....muito lindo....

  1. Fossas abissais que extrapolam fundos de copo. Eu nunca me lembro do CEP delas e nem elas costumam deixar bilhetes ou rastros de fumaça. Só cigarros apagados no cinzeiro. Marcas de batom, neles. O amor é foda!
    Abraço!

  1. Isadora says:

    Já estou por aqui e voltarei com calma para ler seus escritos.
    Um beijo

  1. Apenas fantástico.Por isso foi o ESCOLHIDO!