Sobre Sentidos e Estrelas

Posted: outubro 30, 2010 by Alessandro Pierre in
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Imagem: Caminhos

Sobre Sentidos e Estrelas....

Estou de volta com a mesma cara lavada
Não estou derrotado, cansado talvez...
Me curvei tanto para juntar os pedaços 
Ainda nem sei se estou no rumo certo
Pode ser difícil saber onde se está
Perdem-se os sentidos...
Quando você para e o mundo gira sem parar
Estou quebrantado e com a mochila cheia de sonhos
Perdi algumas estrelas para a imensidão
Mas elas retornam após a curva do infinito
Por mais que eu tenha me perdido, foi no labirinto que criei
Foi mais uma montanha a ser transposta
Agora posso ver o quanto valeu a pena a subida
Quebrei a cara mas descobri que faria tudo outra vez
Gosto quando me viram do avesso, sou (in)verso....
Sou apenas mais um louco de coração vagabundo
Tentando encontrar meu lugar neste mundo

Encontro de Poetas em Tatuí. (UPDATE)

Posted: agosto 27, 2010 by Alessandro Pierre in
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Encontro de poetas em Tatuí, tem que ser no coreto e ao som de trovadores.

Não será possível a realização do encontro na data que previmos, já existe uma programação que não pode ser adiada, então estamos nos juntando a um outro encontro de poetas que acontecerá em Sampa.
Aos inscritos neste encontro, já foi encaminhado e-mail com maiores detalhes. 
Agradeço aos que se inscreveram, ainda faremos nosso encontro por aqui. 




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Vem ai o 1° Encontro Nacional de Poetas em Tatuí/SP.

Pré-Inscrições abertas para o encontro dos poetas do Twitter na cidade de Tatuí/SP.  
O encontro foi idealizado pelo amigo e poeta João Campos.
Ja temos grandes poetas inscritos.
Em breve maiores informações sobre o evento.



Conheça Tatuí:


O Mar e a Saudade

Posted: julho 21, 2010 by Alessandro Pierre in
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Ship At the Sea - Edward Moran

O Mar e a Saudade...

Reza o homem à vela, como rezam os marinheiros...
Que outras velas os guiem ao seu destino.
O que leva o marinheiro não é a vela nem o vento é o amor embrulhado na saudade
E a vontade de voltar...
Foi no mar que ele aprendeu a analogia do sal e da saudade
Não entende porque "sal" não se escreve "sau" ou "saudade" "saldade"
A única coisa que sabe é que o mar cheira saudade.
Saudade tem gosto de mar, que tem gosto de lágrimas, que tem gosto de sal, que lembra saudade..
Em cada porto a gratidão pelas estrelas que o guiara... 
Toda a noite céu e mar são um só, mergulhados na escuridão do infinito
Dividindo estrelas e refletindo a lua que reflete o sol...
Caronte que espere mais um pouco para a travessia do outro lado
Para o marinheiro o amor não é um destino... É um mar de rosas que se navega a dois
Sim, o amor é todo esse mar de rosas para quem não fica ancorado
Aprendeu ser romântico contemplando o mar beijar a praia eternamente
Descobriu que quanto mais se chora, mais se faz parte do mar
Descobriu que o mar e o amar são fluídicos...
E que o mar é uma grande lágrima com gostinho de saudade.

Imune à Nada

Posted: julho 08, 2010 by Alessandro Pierre in
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Imagem: Inside Run | © Guldehen Yogurtcu

Imune à nada...


Você passou tão rápido por mim... nem tive tempo de te decifrar
Como tempestade levou tudo o que eu tinha
Nem pude te ver, saber quem era.
Preparei flores do campo, calcei estradas com sonhos pra você passar
Mas você veio voando, na velocidade de um raio
Como vento levou a nuvem nova para desaguar em outro lugar
Obrigado por me roubar a paz, sim, roubar  e sair correndo....
O que me sobrou foram restos de mim sobre os entulhos de nós dois
Teu ferrão rasgou minha alma de morte
Levou meu sorriso que substituí por esse invisível
Era feliz quando não sabia que existia
Agora você foi embora de braços dados com a tal felicidade
Ando por ai rindo da minha solidão que diz  nem querer minha companhia
Já tive certeza que aqui não é o meu lugar
Hoje tenho a certeza que não sou de lugar nenhum. Não sou teu.
Estou aprendendo a dizer o que as palavras me dizem
Estou aprendendo ser este homem louco que fala sozinho
Falo sabendo que nem vai me ler, escrevo sabendo que não vai me ouvir
Me achava bonito por dentro então virou minha vida do avesso
Sou avesso à tudo, alérgico à quase tudo e imune à nada...
Queria ser forte e poder dizer-te: NÃO
Mas tenho coração fraco, e um coração fraco, se apaixona varias vezes ao dia
Talvez eu só esteja tentando fingir a verdade
Talvez ainda exista um lugar pra você em mim... talvez... talvez se procurar encontre

Só me ensinaram a sonhar

Posted: junho 27, 2010 by Alessandro Pierre in
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Só me ensinaram a sonhar

Só me ensinaram a sonhar
Hoje é difícil saber o que fazer quando o sonho se esvai
Impossível não estranhar quando se acorda
E se o sonho fosse realizado? Talvez não soubesse o que fazer
Só me ensinaram a sonhar
Estou me despertando por não acreditar que era sonho
Estou acordando no meio da noite negra da alma
Só agora me vi dormindo ao lado do vazio que é minha companhia
Só me ensinaram a sonhar
Dizem que despertamos no final, agora entendo porque...
Cada sonho que se vai termina uma vida para recomeçarmos outra
Cada vida que se perde em um sonho desfeito renasce em outro lugar
Renasce com a dor de querer voltar ao paraíso que se perdeu
Só me ensinaram a sonhar
Nem sempre temos força para abrir os olhos
Agora estou em um mundo que desconheço
Entregue a grande ilusão que é a realidade
Estou de olhos velados pela bruma que se faz sem meu sol
Só me ensinaram a sonhar
Não sei o que fazer se já não existe quem me faça sonhar
Quem me colocará de volta em minha órbita
Já sonhei sem motivos e assim os sonhos são oníricos
Não sei o que dizer, só me ensinaram a sonhar

Não Me Importo

Posted: junho 24, 2010 by Alessandro Pierre in
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 Imagem: Alone

Não me importo...

Não me importo com seu choro ensaiado
Com suas lágrimas frias e seu beijo técnico
Talvez o lugar que ocupo em seu peito nem me caiba mais

Não me importo com as juras de amor e os dedos cruzados
Das inverdades construidas com eufemismo para aliviar-me a dor
Enquanto entregava-me o corpo, roubava-me a alma.

Não me importo com o tempo que perdi
Tentando ser exatamente quem voce queria
Me escondi em mim mesmo, quase nao coube em meu corpo

Não me importo em ter fingido o prazer
Fui personagem da minha própria vida
Sou a intensidade que só você não quer ver

Não me importo se não quer me ouvir
Grito ao mundo em poesia
Transformo em caracteres toda minha dor sentida

Não me importo se não me amas
Deixou de conhecer a minha melhor parte
Esteve sempre no escuro procurando meus defeitos

Não me importo se não temos mais motivos
Se nos esquecemos das segundas intenções
Somos cumplices em não nos permitirmos

Não me importo com o doce veneno em taças de champagne
Sempre soube a dose certa pra não morrer de amor
Te devolvi aos poucos diluidos em minha saliva

Não me importo em ter colhido teu fruto proibido
Fui condenado ao meu inferno em cada mordida
Você me tirou da incomoda paz do meu céu

Hoje nem te importa quem sou...
Aprendi a ser como lhe convém, mas meu Eu está ainda guardado em mim
Escancarado à sua frente e não me vês.

Nem me importa se acredita mesmo que não me importo
Na realidade se nao me importasse não me entragaria
Amo intensamente e é muito amor para amar sozinho

Doce Flagelo

Posted: junho 12, 2010 by Alessandro Pierre in
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Doce Flagelo...

Queria poder te matar
De amor, apenas em retribuição por todas as vezes em que me tirou o fôlego
Queria poder te odiar
Por todas as vezes que me deixou a saudade como  companhia
Queria poder te ferir
Com a mesma seta que traspassa meu peito com o veneno de paixão
Queria poder te fazer sentir toda minha ira
Com a mesma intensidade e a força do meu desejo
Queria poder te fazer chorar
Com lágrimas negras que borram sua maquiagem e salgam sua lingerie pequena
Queria poder te provocar a dor
Com a pressão que explode em meu peito e o anseio de gritar seu nome
Queria te sufocar
Com o mesmo nó que me ata garganta quando me diz: Te amo
Queria poder te castigar
Com a mesma privação de sentidos que me causa com meu êxtase
Queria poder te flagelar
Com o mesmo bom castigo com que me açoitas
Queria poder roubar seu chão
Da mesma forma que faz o meu se materializar sob meus pés
Mas só posso ir te matando lentamente
De amor, morre-se um pouquinho por dia

A Chave

Posted: by Alessandro Pierre in
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A Chave

Em cada verso escondo uma letra do meu desejo
Ninguém sabe o que anseio só sabe meu outro eu
Encontrei o caminho e quem me segure pela mão
Cheia de céu que na ausência me deixa nuvens
Tantas estrelas quantas couberem no peito
Afogo meus medos em seus delírios
Tenho em mim seu amor que é minha melhor parte
Trago seu cheiro como incenso que me purifica
Antes de ti me inspirei em você sem saber que existia
Tanto faz onde esteja, estará em mim por onde eu for
Ando por ai colhendo os sonhos que semeei no vento
Adormeço no torpor que causa quando me toca
Cada linha tem seu nome nossa dualidade tem a chave

Mar de Céu

Posted: junho 01, 2010 by Alessandro Pierre in
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 Imagem: Make a Wish -  © Luke Jaczewski



Mar de Céu...



De tanto olhar para o céu observando estrelas
Não pude ver que entre tantas, nesse escuro mar de céu
Havia uma que me observava em silêncio
De brilho raro, luz cálida na escuridão dos dias
Estrela cadente, de queda para o alto...
Que me mostra o caminho que quero seguir
Me ensinou sorrir de dia para colher estrelas a noite
Em meio a todo o caos do mundo ainda nascem flores
E em todo o caos do céu ainda nascem as estrelas
Foi a paixão que emprestou briho de estrelas aos seus olhos
O amor acendeu o calor de mil sois em seu peito
Ela é como a lua, esconde segredos que eu conheço
Tem o mundo a seus pés, rainha de mim
Ela luz. Eu refletância na escuridão da noite
O dia se abre quando ela sorri, o sol percorre seus labios
Quando ela chora a noite fica mais bela e melancólica
As estrelas são lágrimas que cairam ao contrário
E salpicaram o céu de diamantes
Estas estrelas que me escapam, caem no papel
Ela luz. Eu um corpo em sua órbita
A quase todas as constelações ja dei seu nome
Eu luz. Ela constelação dentro de mim
Ciranda de estrelas dentro e fora de nós
No meu céu existe uma estrela que brilha mais que todas as outras
Ela me faz ânsiar pelas noites todos os dias.



"Todo o homem e toda mulher é uma estrela"
Aleister Crowley



O Vento

Posted: maio 30, 2010 by Alessandro Pierre in
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 Imagem: Like the Wind - © Takami

Vem como impetuosa calmaria para minha tempestade
O que é vento hoje está eternamente condenado
A buscar o seu lugar no espaço e seu espaço e si mesmo
Quando vier venha como vento
Quero estar de alma leve para que me leve
Seu sopro me encontrou entre brumas, de asas abertas
Como um condor aportado em um cais de vento
Quis tentar ajustar velas e te navegar
Mas troquei minha vontade pela sua
Hoje o que eu quero é o seu querer
Me leve onde meus pés não me sirvam para nada
Asas são raízes ao contrário
Estou apenas procurando meu lugar no espaço
E meu espaço em mim mesmo
O vento leva seu grito por distâncias incalculáveis
Que me traz doces lembranças, mas não as suas
Não posso me lembrar de você
É impossível lembrar quando não se esquece

Cada Querer...

Posted: maio 25, 2010 by Alessandro Pierre in
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 Imagem: Dreaming our Dreams | © Codrin Lupei

Cada Querer...

Toda a minha vontade agora é te ter
Não como quem tem, mas como quem a possui
Com a força que se oculta no covarde
Com a insensatez do medo que se esquiva do herói
Me perco em seu labirinto sem saida
Descontinuado, desconstruido, desorientado
Bússola sem a rosa dos ventos
Ofuscado pela luz de supernova
Seus olhos  roubaram o fogo do céu 
Oráculo que desenhou meu caminho
Em um rastro feito com poeira de estrelas
Templo de sacrifícios carnais
Com a extatidão da proporção aurea
Quero me esconder em seus cantos mais obscuros
Invisível no incensário tom fumê da sua pele
Banhada pela pálida luz da lua
Que da silhueta de deusa ao seu corpo mortal
Existe um desejo preso aqui dentro
Mas só você possui a chave que me liberta
Cumpri as doze tarefas, percorri os signos
Como estrela errante me perdi na sua elipse
Estás muito distante, escondida...
Em algum lugar bem aqui no meu peito
Revolvendo desejos como monstros
Que se despertam aos sussurros
E que se acalmam ao  te sorver por inteira
Te ver ao longe, foi o materializar  da febre
Ebulição lenta, latente e constante
Cada desejo tem a sua vontade
Cada querer, sua veleidade
Cada paixão deixa a sua saudade

Minueto

Posted: maio 21, 2010 by Alessandro Pierre in
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 Imagem: Music, Her Love | © Toma Moisii

Minueto...


Teu corpo é poesia sólida de sons arrebatadores
Quando dedilhado com dedos sedentos
Sinfonia de cores e formas, sinestesia profunda
Sinto o sabor de cada nota
Obra de um Grande Compositor
Executada por deuses e anjos
Som inebriante e sensual de um violino 
Com a imprudência que me leva ao êxtase
Minueto que me convida a dançar
Ao cálido som das ofegâncias
Que a musica nunca termine
Quanto a mim o que posso te dar em troca
Apenas este singelo poema
Como uma serenata feita na janela da tua alma
Janela de luz acesa me convidando
A ser ladrão para roubar-te beijos
E quanto a você, doce sinfonia...
Entro em sintonia, vou te sentindo com o corpo
Ah.... o  Gran Finale.....
Adiaremos por algumas eternidades



Condenado

Posted: maio 20, 2010 by Alessandro Pierre in
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 Imagem: 1X.com - Colmar Wocke

Condenado

Estou em um lugar onde não podes me ver agora,
Mas sei que ainda ecoo em sua cabeça... Sou palavras
Hoje sou a sombra do que já fui
Mas estou tão perto como antes
Estou em um lugar onde realmente importa
Podes me ver quando fecha os olhos
Vim de longe, pois quero estar sempre próximo
Estou em lugar agora perdido do tempo
Oscilando entre mundos desde que o nosso se desfez
Tropeçando nas palavras que ficaram engasgadas
Deveria ter feito sentir-se melhor quando podia
Agora sou eu quem te desperto a noite
Velando seu sono desvelando segredos
Estou sempre solitário te esperando na porta da frente
Quando adormece, te levo para dançar em sonhos.
Entorpecida me diz coisas que não posso entender
Estou do outro lado do espelho
E um lugar onde todas as palavras rimam
Sussurro teu nome no ouvido e te arranco arrepios
Seus suspiros são o tragar da tua alma
Que tenta fugir com minha para este plano
Mesmo que não percebas, sou eu.
Calçando sua estrada de sonhos
Para não ferirem teus pés descalços
Pairo sobre teu rosto quando deitas
Mas não posso mais sentir tua pele
Caminho deste lado com você
Mas, existe um abismo entre nós.
Estou condenado a viver em um belo lugar agora
Mas qualquer lugar só é perfeito

Janelas, Almas e Borboletas

Posted: maio 16, 2010 by Alessandro Pierre in
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Foto: Borboleta - Nidia Pimenta

Janelas, Almas e Borboletas


Como deve ser lindo o mundo visto da tua janela
Todas as estações são primaveras
Solstícios e equinócios num só dia
Devem haver estrelas, sois e luas que desconheço
Seu mar é infindo quando toca o céu
Da mistura dos azuis, nasceu tua Aura clara
Quero repousar sob tua sombra
No seguro aconchego de tuas asas
É tua toda essa beleza que vês no que escrevo
Descrevo o que te existe dentro
Que por se ver bela no espelho
Esqueces que os deuses, por capricho te colocaram...
Alma pura dentro de uma obra prima
E apesar de possuir um belo corpo
É apenas um casulo que aprisiona
A mais bela das borboletas
O que são as borboletas senão
As flores que aprenderam voar

Perdido No Tempo...

Posted: maio 06, 2010 by Alessandro Pierre in
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Imagem: A Persistência da Memória - Salvador Dali

Perdido No Tempo...


Extremos se tocam
E agora não é ontem e nem hoje
Apenas o nosso lugar preso no tempo
Mas logo amanhece e nada será igual
Tudo novo, tudo de novo.
Posso fugir, fingir não lembrar teu nome
Mas na boca sinto ainda o teu gosto
E na memória tenho o teu rosto
Por você nenhum lugar é tão longe
Por você me arriscaria ao infinito
Talvez a tua língua não venha namorar a minha
Talvez meus olhos não encontrem os teus
É impossível respirar fora da atmosfera que criamos
Onde dois corpos ocupam o mesmo lugar no espaço
Mas estou livre num lugar entre o céu e o inferno
Voo para qualquer lugar se voa comigo
Onde pousarmos ali será meu paraíso
Sei que se cair da nossa altura
Terei seus braços para pousar
Mesmo que acabe o mundo
O nosso mundo vagará pela imensidão
Que tudo seja intenso, enquanto durar nossa eternidade
Além disso, seria sofrimento e nada mais
Te encontrar foi me perder do tempo
Já não me importo se é dia ou noite
Sei que nunca é tarde
Perco a noção do tempo e espaço
Me cortando em estilhaços
Que me abrem a ferida, mas você é a cura.
A paz de quem procura alguém em algum lugar
Posso ser livre ir para onde for...
Melhor que ter pra onde ir, é ter pra onde voltar.

[IN]Verso Em Expansão

Posted: maio 03, 2010 by Alessandro Pierre in Marcadores:
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Imagem: “Mão com esfera refletora” – Mauritis Cornelius Escher



[IN]Verso em Expansão


Trago no peito um espaço do seu tamanho exato.
Trago o surto e a vontade de enlouquecer
Pra não precisar ter razão e nem fazer sentido...
Trago no rosto o sulco, cicatriz de uma pesada lágrima.
Sou absorto e dissimulado... jogando poesia aos ventos.
Sou inteiro de estilhaços, frágil e esparso...
Onde estou nem eu sei, talvez em algum lugar procurando por mim
No exato momento do silencio...
Havia uma eternidade presa no meu instante.
Vagavam perdidas duas partículas: eu e você...
Da nossa colisão nasceu toda a minha dúvida...
Sou meu inverso em expansão.

Vulcão e ventania...

Posted: maio 01, 2010 by Alessandro Pierre in
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Imagem: Ventania by Worth


Vulcão e ventania...


Quando as almas se entendem antes dos corpos
O amor se anuncia na poesia do invisível
Que torna quase tangíveis as mãos
Num verso livre algemando o desejo
Na clausura rubra do coração...
E é um se dar espontâneo
Delírio esse amar tão oceânico
Palavras desenhando o mar
Cama feita para nos deitar
Loucura ouvir tua voz assim de tão longe?
Além da razão o amor se expande
Apaga a linha que divide os hemisférios
Mistério indecifrável que impregna na pele
O calor que vem de teus versos
Que deslizam em meu corpo como tuas mãos
Em cada palavra adentras meus contornos
Meus becos, meus medos
A noite que se esconde no meu peito
E sugas meus seios
Como quem bebe estrelas
E se embriaga do uni_verso nu
Em meu corpo...

(RaiBlue)
(Este poema foi o comentario da RaiBlue no post anterior)

Delírio

Posted: abril 29, 2010 by Alessandro Pierre in
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Delírio

Pode parecer delírio mas...
Nem quero mais ter minha vida de volta
Antes de te conhecer fui lúcido
Agora falo sozinho olhando para o vazio
Só pra ter a certeza que ninguém me ouve...
Falo das minhas verdades inteiras, que te conto às metades
Falo de amor aos pedaços, para que juntes as partes do todo
Digo que no meu peito cabe você, nosso amor e muitas outras coisas

Coisas essas que não precisas saber...
Por isso te desenho um mundo sutil com meus versos
Te sufocaria se despejasse todo este sentimento que me transborda
Então te regurgito gotas neste louco poema
Onde te escondo em cada entrelinha
Para poder te resgatar com os olhos...
Com a intensidade e velocidade de um desespero
Posso parecer frio, mas é que amo com a calma da alma
É difícil me compreender, quando o que eu mais quero é te fazer feliz
Agora eis me aqui, o mais feliz dos homens...
Com medo de ter me perdido no caminho...
E ser o único feliz da nossa história

Vivem presos no meu corpo sentimentos que não me cabem
Por isso escorrem as sobras em poesias
Não há outra razão além da loucura...
A não ser o teu desejo que se alimenta do meu êxtase
Que se completa em te ver dizendo coisas indecifráveis
De tanto falar de amor pareço destoar da realidade
Mas também me enfado e odeio...
Odeio ficar longe de você


Saudades Nuvens e Afagos...

Posted: abril 28, 2010 by Alessandro Pierre in Marcadores:
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Imagem: Mulher Saudade à Janela - Kim Molinero



Saudades Nuvens e Afagos

A saudade é dor silenciosa...
É quando você está em mim
E minha alma te procura em todo o lugar

Saudade é o peito cheio de ausências
Porto inseguro com bruma densa
Com um vazio do tamanho do espaço que ocupavas

No Limiar

Posted: abril 25, 2010 by Alessandro Pierre in Marcadores:
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Angel Musician - Rosso Fiorentino

No Limiar



Entre as claras brumas da manhã...
Podem vagar despercebidos anjos de claras asas
Repousam sobre os umbrais, guardiões do nosso segredo
Meu reflexo reverso tem as chaves dos elementos
Percorro o caminho na dança dos signos até a beleza dos portais...
Onde adentro em meu silêncio, como quem mergulha em quase morte
Queda livre para o alto em direção ao infinito...
O casulo que me aprisiona no espaço e tempo é tecido á fios de prata...
E de fios deste mesmo casulo que teço meus sonhos
Atravesso o abismo, enfrento meus demônios e aniquilo meu ego...
Enquanto deuses espreitam do alto de suas esferas
Adentro-me oculto em minha própria sombra
Me desperto do sono dos mortais
Nossas línguas dançam o ritual frenético aos deuses do céu da boca.
Fizemos dos lençóis nossos sudários...
Não é porque foi libertino que não tenha sido divino...
As lembranças do nosso amor  estarão sempre guardadas em relicários.